A federação de médicos KNMG classificou o comportamento de 14 psiquiatras proeminentes que instaram o Ministério Público a tomar medidas no caso da eutanásia de uma menina de 17 anos de “indecente e inaceitável”.
O KNMG, que também arbitra em questões de ética, disse que os psiquiatras erraram ao enviar uma carta apelando a uma investigação criminal aos pais e aos médicos que trataram a menina.
Apelaram aos procuradores para descobrirem “até que ponto as pessoas próximas deste paciente vulnerável (…) influenciaram a decisão deste jovem paciente de escolher a eutanásia.
Os psiquiatras nunca falaram com a menina, nem com seus pais e médicos. “Esta ação pode não só prejudicar potencialmente os cuidadores e familiares, mas também minar a confiança do público na profissão”, disse o KNMG numa reação contundente.
O caso gira em torno de Milou, que sofria de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas desde os 11 anos de idade após abuso sexual. Ela foi novamente abusada sexualmente em uma instituição por outro paciente.
Após anos de tratamento e várias tentativas de suicídio, ela optou pela eutanásia aos 17 anos, alegando sofrimento mental insuportável.
Procedimentos seguidos
O psiquiatra que aprovou sua decisão agiu de acordo com as diretrizes, concluiu a Regionale Toetsingscommissie Euthanasie.
O comité analisa todos os procedimentos de eutanásia para garantir que os procedimentos corretos foram seguidos e reporta ao Ministério Público.
No entanto, psiquiatras proeminentes discordaram e escreveram ao Ministério Público, questionando o direito de um menor optar pela eutanásia e se é correcto presumir que o sofrimento mental não pode ser curado.
Na carta mencionam a “promoção generalizada da eutanásia” que, na sua opinião, poderia levar à “morte desnecessária” de pacientes jovens.
A discussão veemente que se seguiu nas redes sociais e nas cartas aos jornais faltou “respeito pelos pais e uns pelos outros”, disse o KNMG.
Num comunicado citado pelo Volkskrant, os pais de Milou saudaram a repreensão do KNMG e disseram que aguardam “um pedido de desculpas pessoal de todos os psiquiatras envolvidos e uma retificação oficial”.
O professor de psiquiatria Damiaan Denys, que assinou a carta ao Ministério Público, disse que a reacção do KNMG foi “desnecessária, imprudente e tardia”, mas admitiu que a carta pode não ter sido a melhor forma de chamar a atenção para “a facilidade com que a eutanásia é mencionado para jovens com problemas mentais”.