
As clínicas de aborto na Holanda relatam um número crescente de ataques à medida que cresce o sentimento anti-aborto, informou o Telegraaf na quinta-feira.
“Costumávamos receber cartas desagradáveis e ninguém vinha manifestar-se na clínica, mas desde 2017, tornámo-nos um alvo”, disse ao jornal Femke van Straaten, diretora de clínicas de aborto em Amesterdão e Haarlem. Os incidentes vão desde manifestações perto da clínica até o envio de vídeos de decapitação do EI.
Uma pesquisa realizada por clínicas de aborto mostrou que 50% das mulheres adiariam a consulta se soubessem que iriam aparecer manifestantes. “Isso está impedindo o bom atendimento e também incomoda as pessoas que trabalham aqui”, disse Van Straaten.
O aumento do sentimento anti-aborto reflecte-se nos números que aparecem na marcha anual – 11.000 em 2025, em comparação com metade disso em 2017, afirmou o jornal. O número de membros de organizações antiaborto e as doações para elas também aumentaram.
As manifestações em frente à entrada das clínicas foram proibidas pelo Conselho de Estado no ano passado, mas “é uma ilusão pensar que isso irá impedi-las”, disse o professor de jurisprudência Jan Brouwer. “Eles ficarão ali sozinhos e reivindicarão o direito à liberdade de expressão. As organizações pró-vida sempre encontram um caminho”, disse ele.
Na Holanda, as mulheres com até nove semanas de gravidez indesejada podem agora optar por solicitar pílulas abortivas online. As clínicas de aborto podem realizar abortos até 24 semanas.
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