A pesquisa realizada com 3.000 profissionais de saúde levou a resultados preocupantes. Centenas deles relatam ter colegas com falsas qualificações.
As consequências? Incapacidade de responder corretamente em situações urgentes e necessidade de procurar vídeos no YouTube sobre como realizar procedimentos médicos básicos.
Documentos falsos em circulação
A investigação, realizada pela RTL Nieuws, segue as preocupações da polícia holandesa de que criminosos violentos estejam a trabalhar no sector da saúde com documentos falsificados.
Curiosa para ver se este era o caso e compreender a dimensão do problema, a RTL Nieuws recorreu à ajuda dos sindicatos de saúde para distribuir um questionário a quase 3.000 trabalhadores.
Os resultados confirmam, pelo menos parcialmente, as suspeitas da polícia.
Preocupantes 643 entrevistados expressaram certeza de que alguns colegas possuem documentos falsos, e outros 607 entrevistados disseram suspeitar que este seja o caso.
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Documentos falsos, neste caso, significam qualquer coisa, desde diplomas falsos até competências ou certificados de conduta falsos.
Incapaz de realizar procedimentos básicos
Como você pode imaginar, as consequências são preocupantes. Trabalhadores não qualificados muitas vezes não sabem realizar até mesmo os procedimentos médicos mais básicos, causando desconforto desnecessário aos pacientes.
No relato, uma funcionária de uma casa de repouso descreve ter visto seu colega inserindo um cateter: “O paciente estava com muita dor, só vi sangue por baixo”.
Descobriu-se que o colega em questão não possuía as qualificações adequadas.
O dinheiro é o fator determinante
O que levaria alguém a colocar o bem-estar de alguém em risco dessa maneira? Dinheiro, é claro.
A pesquisa descobriu que os entrevistados encontraram muitos problemas quando trabalhadores autônomos foram contratados como ajuda extra durante os turnos noturnos ou outras lacunas nos horários hospitalares.
Como trabalhadores independentes, podem ganhar um salário horário mais elevado, o que significa que ganham frequentemente entre 10.000 e 12.000 euros por mês.
Dado que, para alguns, o dinheiro é o seu principal motivador e a responsabilidade não é a sua principal preocupação, estes trabalhadores também trabalham frequentemente horas perigosamente longas.
Alguns funcionários da área de saúde relatam que seus colegas trabalham em turnos diurnos e noturnos consecutivos, mas simplesmente adormecem à noite e ignoram completamente seus pagers.
Verificações mais rigorosas
A circulação de documentos falsos no sector da saúde não só tira vantagem das pessoas vulneráveis, mas também deixa os trabalhadores qualificados em situações desconfortáveis, onde têm de limpar a sujidade alheia.
Os sindicatos estão, portanto, a apelar aos empregadores para que resolvam esta questão com urgência.
Apesar de o número de profissionais de saúde independentes estar a aumentar rapidamente, as suas qualificações precisam de ser devidamente verificadas em primeiro lugar, alertam os empregadores.
A ActiZ, a associação comercial de aproximadamente 400 organizações de saúde, também insta o Ministério da Saúde a introduzir critérios mais rigorosos para determinar quem pode tornar-se profissional de saúde.
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