Ronald Koeman renunciou ao cargo de técnico da seleção holandesa de futebol masculino, menos de 24 horas depois de a Oranje ter sido eliminada da Copa do Mundo nos pênaltis.
O jogador de 63 anos disse que foi “doloroso” ver a sua equipa ser eliminada da competição nos 16 avos-de-final, frente a Marrocos, mas assumiu a responsabilidade pelos resultados da equipa.
“Estou saindo com sentimentos confusos”, escreveu ele em um post no Instagram. “Obviamente eu queria encerrar minha passagem pela Oranje com um título mundial. Esse sonho, infelizmente, continua não realizado. Mas o sentimento predominante é o orgulho.”
Koeman teve duas passagens como técnico da seleção nacional, de 2018 a 2020 e de 2023, totalizando 64 partidas.
Na sua primeira gestão, a Oranje obteve vitórias sobre a França e a Alemanha na Liga das Nações antes de perder a final para Portugal, mas depois de liderar a equipa na qualificação para o Euro 2020, Koeman deixou o cargo para se tornar treinador do Barcelona.
Ele voltou após ser demitido do clube catalão três anos depois, mas não conseguiu reproduzir o sucesso ou o futebol dinâmico de sua passagem anterior. Durante o seu segundo mandato, a Holanda não conseguiu vencer um país entre os 25 primeiros do ranking da FIFA.
Táticas defensivas
Ele foi criticado na preparação para a Copa do Mundo por suas táticas defensivas e estilo de jogo passivo, mas o time superou a letargia na fase de grupos para marcar 10 gols contra Japão, Suécia e Tunísia.
A última partida de 32 contra uma talentosa seleção marroquina foi mais física, com Koeman adotando uma formação de 5-3-2 projetada para conter os atacantes marroquinos, mas que enfraqueceu a capacidade da própria Oranje de marcar gols ou dominar a posse de bola.
“Ninguém está mais desapontado do que eu”, disse Koeman em sua mensagem. “Como seleccionador nacional tive essa responsabilidade. Senti-a e sentir-me-ei sempre.”
Ele também deu uma forte indicação de que estava traçando um limite em sua carreira gerencial ao listar os clubes que treinou nos últimos 25 anos, incluindo os três maiores clubes holandeses, Ajax, Feyenoord e PSV, bem como Everton e Southampton.
Sua esposa, Bartina, estava em tratamento para câncer de mama secundário enquanto Koeman e sua equipe estavam fora da Copa do Mundo.
“Os últimos anos me fizeram perceber que existem coisas mais importantes do que o futebol”, escreveu Koeman. “O futebol tem sido minha vida, mas não se pode colocar um preço na saúde.”
Possíveis sucessores
A associação holandesa de futebol KNVB emitiu um comunicado agradecendo a Koeman por seus esforços e dizendo que pretende nomear um sucessor antes do início da campanha da Liga das Nações, em setembro.
Os possíveis sucessores incluem o técnico do PSV, Peter Bosz, o ex-técnico do Liverpool, Arne Slot, o ex-técnico do Ajax e do Manchester Uniter, Erik ten Hag, e Michael Reiziger, atualmente no comando da seleção holandesa de sub-21.
“Ronald deu tudo pela seleção holandesa durante um período que também foi desafiador para ele a nível pessoal”, disse a diretora de futebol profissional, Marianne van Leeuwen.
“Ele sempre se comportou com dignidade e profissionalismo e foi um excelente embaixador da seleção holandesa. Estamos imensamente gratos por isso.”