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Os holandeses estão preocupados com a ordem jurídica internacional


    Os cidadãos holandeses estão cada vez mais preocupados com o colapso da ordem jurídica internacional e têm pouca confiança na capacidade do país para enfrentar o que está por vir.

    Estas são as conclusões do último relatório do instituto de investigação Clingendael, que entrevistou mais de 4.000 cidadãos holandeses sobre desenvolvimentos internacionais potencialmente ameaçadores e esperançosos.

    A ameaça de “erosão da ordem jurídica internacional” subiu do 21.º para o 3.º lugar face aos anos anteriores, ficando logo atrás dos ataques cibernéticos e da destruição física de infraestruturas vitais, informa a NOS.

    Por que a mudança repentina?

    Ao longo dos últimos cinco anos, a ordem jurídica internacional sofreu golpe após golpe – desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 até aos conflitos em curso em Gaza e no Irão. E, no entanto, a crença na ordem global persistiu em grande parte.

    O que mudou agora, segundo o investigador principal Christopher Houtkamp, ​​é o posicionamento dos EUA no cenário global.

    Washington, na sua opinião, fez da política de poder uma parte do modus operandi internacional, escreve a NOS.

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    Numa conversa com a NOS, Houtkamp diz que as grandes potências estão “a tirar tudo o que podem”, o que está a impulsionar a percepção pública delas como uma ameaça – apontando para exemplos como a ameaça do Presidente dos EUA, Trump, de anexar a Gronelândia.

    A professora de direito internacional Larissa van den Herik faz eco disso, dizendo à NOS que “os EUA estão a retirar-se cada vez mais, enquanto o país sempre foi o patrocinador da ordem jurídica internacional”.

    Qual é a posição da Holanda?

    Apesar da constituição neerlandesa conter uma disposição explicitamente ligada ao desenvolvimento da ordem jurídica internacional, os cidadãos continuam profundamente incertos quanto à resiliência do país.

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    As ameaças híbridas que abrangem a sabotagem cibernética e física continuam a ocupar um lugar de destaque na lista de preocupações, juntamente com a ameaça representada pela Rússia.

    A confiança neerlandesa numa recuperação a curto prazo do Estado de direito é mínima – 63% dos inquiridos esperam que a deterioração continue.

    Espaço para esperança

    Mas nem tudo é desgraça e tristeza. Os cidadãos holandeses apontam para uma maior integração europeia, para a soberania digital e para uma maior resiliência contra ameaças cibernéticas e híbridas como razões para um optimismo cauteloso.

    A Holanda já deu alguns passos nesse sentido na recente luta pela plataforma digital DigiD.

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    A opinião do professor Van den Herik reflecte o que o primeiro-ministro canadiano Mark Carney argumentou no seu discurso viral em Davos: que as chamadas “potências médias” precisam de avançar.

    @cbsnews “Se não estivermos na mesa, estamos no cardápio.” O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, acusou o presidente Trump de romper a ordem mundial através da coerção económica e alertou que o mundo está no meio de uma “ruptura, não de uma transição”, à medida que as grandes potências utilizam cada vez mais a integração económica como “armas”, e advertiu que as potências médias devem agir em conjunto ou correm o risco de negociar “a partir da fraqueza”. #canada #usa #trump #europe #greenland ♬ som original – cbsnews

    “Precisamos de cooperar muito mais fortemente a nível internacional e também trazer parceiros fora da UE”, afirma à NOS. “Pense no Canadá, no Reino Unido e na Ucrânia.”

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    A prioridade, diz ela, é clara: fortalecer a União Europeia como bloco de poder.

    Qual é a sua posição nesta conversa sobre certo versus poder? Deixe-nos saber nos comentários.